O Demônio da Vertigem

Eu havia entrado de penetra numa festa de playboy em uma cobertura da zona sul. Dei muita sorte de encontrar dois convidados-turistas-estrangeiros, na descida da pedra do Arpoador. Queriam saber como chegar na rua Santa Clara, esquina com a Barata Ribeiro. Vi que seguravam 3 convites entre os dedos. Dei as coordenadas e perguntei como-alguém-que-não -quer-nada o porque do terceiro convite? Disseram que era para um companheiro que já voltara para o hotel no Flamengo. Muita birita depois do almoço. Perguntei maliciosamente se eu era parecido com seu amigo. Disseram que não, mas isso pouco importava. Ninguém conhecia nenhum deles de fato. Rumamos alegres e mal intencionados para a farra.

E eis-me aqui. Disfarçado de turista acidental. É certo que nem preciso me esforçar muito, nesse teatro todos – protagonistas e figurantes – já estão bêbados e/ou chapados. Drinks grátis, aliás, foram meus principais chamarizes para esse festa dessa burguesada chata. Ok, os canapés também são uma boa pedida.

Luzes psicodélicas ricocheteiam pela sala maior. Alguns corpos se movimentam tentando timidamente acompanhar o ritmo alucinante dos som. Eu me esquivo dessa muvuca. Ainda não fiquei bêbado o bastante pra isso. Vou em direção às luzes mais sólidas da cidade, visíveis pelas frestas da cortina da sacada. A vista se estende para todos os lados. É a mais impressionante vista natural, alterada aqui e ali pela mãozinha do homem. Vista natural disse eu, mas que não sai grátis. O capitalismo sabe muito bem extrair grana de todos deslumbrados voyers da beleza carioca. Niemeyer estava certo ao lembrar a frase de Sartre, talvez o mundo fosse melhor sem o homem. Verdade ainda mais inquietante em se tratando da cidade maravilhosa… meu devaneio filosófico é interrompido por um perfume intenso. Aquático? Uma lufada forte de ar me atravessa dos pés aos meus cabelos revoltos.

Alguém passou por mim em silêncio e abriu alguma porta para a sacada. Bebo mais um gole do meu Bloddy Mary e procuro curioso pela pessoa do outro lado do vidro. Um vestido de um branco que absorve cores ao redor cobre o corpo de uma mulher esbelta e ágil como um felino. Ela tira os saltos. Segura-os com uma mão e enquanto tem na outra uma taça de champagne. O vento castiga o vestido contra o corpo dela. Silhueta desenhada pelo sopro da noite. Observo em surdina essa beleza inesperada. Solidão graciosa de uma menina leopardo. Cansada da farra? Enjoada das cantadas previsíveis dos pit-boys? O olhar se perde no horizonte. O vento insiste em castigar seu vestido. Levanta-o sem cerimonia. Uau! Vejo bem mais do que imaginaria. Seu bumbum fica exposto por longos segundos. Ela não usa calcinha alguma. Bunda volumosa, morena. Sou tomado por arrepio na espinha. Ela continua com o olhar pensativo, perdido no horizonte. Não se importa que o vento a desnude.

Tomado de um ímpeto sem igual, me dirijo para a porta da sacada. No caminho encontro um garçom e troco meu copo vazio por dois outros drinks. Nem penso na abordagem. Simplesmente chego ao lado dela e lhe ofereço um dos copos de bebida.

Ela aceita dizendo que numa noite assim, nunca é demaisVocê não devia estar aqui. Diz também me deixando entre confuso e contrariado. Sorri. Tudo bem, eu sou forasteira na cidade. Seremos cúmplices essa noite. Me dirige uma piscadela que me revigora o ânimo e abranda meu cenho. Nem vou perguntar como, sendo você tão estranha quanto eu, descobriu que não sou um dos convidados. Vim aqui ver a paisagem como você. Qual delas? pergunta e sorri para a noite. O vento volta e nos fustigar sem dó, nem pena. Me volto para a porta e a fecho. Noto a chave do lado de fora. (Sorte de Gastão!) A tranco. Com essa cortina enviesada, para sermos vistos aqui, alguém tem de colar o nariz no vidro…

Volto para o lado dela. A taça vazia que ela largara no parapeito é empurrada pelo vento e cai dez andares. Quase não ouvimos seu estilhaçar. Ops! Estamos dilapidando o patrimônio alheio sussurra ela no meu ouvido. Acho que eles podem dar conta. Pedir mais algumas taças de cristal da fábrica deles em algum lugar da Ásia. O vento nunca nos deixa inteiramente sós. Nos açoita e, para minha felicidade, levanta o vestido novamente. Ela faz de conta que nada acontece. Sua bunda desnudada ao meu lado. Tomado de um desejo sem palavras, deixo uma de minhas mãos cair para trás e tocar sem aviso prévio uma das polpas da bunda daquela mulher ainda sem nome. Foi um ato impensado. Achei que ela ia estremecer ou fugir, mas permaneceu incólume. Tomou outro gole do seu drink e me perguntou se já vira a lua hoje. Disse que não, mas ela devia aparecer logo para nós. Aproveito a deixa e passeio minha mão por todo aquele traseiro exposto.

Ato continuo, meu sexo reage. Aperto sua carne como se fosse um gomo de laranja. Querendo assim extrair todo sumo que pudesse. Ela solta um leve suspiro. Já apalpei toda polpa, ora de provar mais fundo. Meus dedos penetram o meio de seu rabo em busca de mais prazer. Roço seu ânus. Ela se contrai de leve. Sem permissão explícita alguma acaricio seu cuzinho contraído girando a ponta do indicador em torno dele. Ela aponta o dedo para o céu e mostra onde a lua resolveu surgir para dois inebriados na sacada de um prédio da zona sul. Olha a lua, toda vermelha no horizonte. Murmuro que ela é linda enrubescida. A ponta de meu dedo penetra seu rabinho. Pela primeira vez ela reage aos meu gestos. Diz que gostoso e e me beija. Enquanto nossas línguas se entrelaçam, meu dedo penetra mais fundo no seu cuzinho quente. Delicia de sacanagem. Continuamos nessas práticas exploratórias até o vento mudar de direção.

Já com o lábio mordido por seus dentes, me agacho para explorar sua bunda com minha boca sequiosa do gosto dela. Lambo suas nádegas com volúpia. Depois abro seu bumbum para me deleitar com a visão de seu cuzinho se oferecendo para mim. Sem hesitar, esfrego a ponta de minha língua nele. Ele se contrai e relaxa enquanto tento penetrar. A mão dela está muito ativa em seu sexo. Esfrega seu grelo com uma intensidade deliciosa. Brinco de comer seu cuzinho com a língua até ela se abrir mais a minha boca. Aproveito a deixa e desço minha língua pelos seus lábios inchados de tesão. Molhados, com um gosto forte que saboreio. Exploro toda sua boceta morena. Até chegar a seu clitóris. Ela é muito greluda. Que tesão! Me devora sussurra ela. Devoro com todo prazer.

Mudamos de posição. Ela se debruça sobre uma cadeira de sol. Toda de quatro, se oferecendo para minha língua abusada. Delicia de visão. Delícia de mulher. Delicia de sabor. Me lambe seu cachorro. Brinco com seu grelo até ela começar a gemer forte. Então paro para recuperar meu fôlego e um pouco da lucidez. A música da festa, Estrelas Vigiadas de Fawcett, deve abafar nossos gemidos pensei comigo. Por um breve instante, tive a impressão ver um vulto de uma mulher ruiva, a nos espiar pela fresta da cortina enviesada. Voltei à ação. Agora novamente brincando com os dedos nela. Aproveito para penetrar sua boceta melada. Fodo ela toda com meu indicador. Em seguida a penetro pelo cu também. Ventos uivantes sopram todos os amantes na noite de Copacabana… Muitas páginas de sacanagem xerocadas. Ela parece adorar essa putaria toda. Ai que gostosa essa brincadeira. Tô toda preenchida… Ergue mais a bunda para que eu faça o que quiser com seus orifícios. Meu pau, salta para fora da cueca de tão duro que fica. Hoje ele quer fazer a festa. Essa deusa bunduda pede pra ser comida com força.

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Seu safado. Você sabe lamber gostoso. Tô louca pra chupar seu pau grosso. Proposta irrecusável! Me ergo, deslizo meu zíper e tiro para fora o sexo latejando, cabeça vermelha explodindo de tesão. Ela se ajoelha na minha frente e engole ele com a pressa de uma sedenta diante da bica dágua. Ahhhhh… que loucura! Assim menina… sua gulosa. Tarada por pica. Chupa tudo, engole todo ele. Fizemos amor entre estrelas vigiadas. Está com ele inteiro dentro da boca. Não contente eu pego seus cabelos e forço a cabeça dela contra minha virilha. Ela parece que vai engasgar. Vejo em seus olhos semicerrados que ela se delicia com esse excesso. É gulosa essa cadelinha. Adora se engasgar assim. Movo sua cabeça em um vai e vem para foder a boca dela com meu pau duro como pedra pelo tesão sem fim que acomete nós dois.

Depois de me chupar ela olha pra mim e diz que agora meu pau está bem lubrificado. Tá pronto pra meter nela sem dó. Mete tudo no meu cuzinho. Que loucura! Se levanta e tira toda roupa. Brinco com seus seios antes de ela se debruçar sobre a cadeira novamente, dessa vez abrindo a bunda com mãos. Me oferecendo seu rabo gostoso. Meu cuzinho é todo seu. Come ele gostoso. Vou ao delírio dos delírios. Alço alturas inimagináveis de prazer ao ver seu corpo voluptuoso se oferecendo de um jeito sem vergonha, sem pudor, sem receio. Aquele bumbum grande, todo redondinho, todo saboroso sendo oferecido para ser penetrado me deixou num furor agressivo. Mete, vai. Come meu cuzinho, seu safado. Sem mais demora a penetro pelo rabo. Meu pau entra todo em seu orifício apertado. Penetro fundo e fico sem fazer movimento algum por um longo instante. Saboreando ela por dentro. Depois começo, com um furor crescente, a foder sua bunda, sem dó nem pena.

Ela não tira a mão de seu grelo enquanto finco estocadas magistrais no seu rabo quente. Sinto meu membro esquentar naquela fricção gostosa. Puxo os seus cabelos e enrabo essa deusa rabuda que encontrei perdida na noite de Copa. Há uma ruiva a nos espiar, agora tenho certeza. Está nos fitando sorrateira pela fresta da cortina. Ai, que pica enorme e dura, que gostoso ser fodida assim… meu rabinho tá ardido. Ao ouvir essas confissões, como ela com mais força ainda. A cada palavra obscena dela, meu pau fica mais rijo. Meu tesão mais insano. O suor toma conta de nossos corpos na medida em que os minutos fluem ao sabor daquela foda furiosa. E ela fica ainda mais tesuda banhada em suor, com as curvas acentuadas pela pele lustrosa. De repente, ela arqueia as costas e estremece de prazer. Ai, não para…. Não para, não… Fode minha bunda, fode, cachorro! Fodee! Aí, que dorzinha gostosa sentir essa pica no meu cuzinho. Ai… aii… ai…

Abro bem a bunda dela pra enfiar todo meu sexo em seu orifício traseiro. Fodo ela tanto que me fôlego beira o limite. Bate na minha bunda, vai! Com prazer, faço o que ela quer. Paaaaaaaá!!! Deixo minha mão impressa em vermelho em uma das polpas de seu rabo. Ela olha pra mim e sorri enquanto meto gostoso. E que bundão ela tem. Que mulher mais sacana. Safado, adoro, a-do-roooo! Ela goza primeiro. Solta um longo gemido. Seu rabinho se comprime várias vezes estrangulando meu pau. Enche meu cuzinho de leite, enche, gostoso… Depois de ela relaxar um pouco, eu prossigo na ação irrefreada, com a explosão de um cavalo. Gozo intensamente, enchendo o rabo da mulher-ainda-sem-nome de porra. Ai, se todas festas fossem assim…

Morte e vida no final do expediente

Eu tô suando frio (talvez seja o ar condicionado). Vim apressado pra cá carregando essa papelada toda, lá fora tá um calor danado, um sol de rachar a cuca. Já aqui dentro faz frio… bom, talvez eu esteja febril, ou esteja suando de nervosismo. É cruel ter toda tua vida, teu ganha-pão dependendo de funcionários cinzentos. Se eles encontrarem algo errado em qualquer desses meus documentos, vou ter que ralar pra poder comer proteínas todo dia e ter um teto sem goteira pra dormir. Como é frio aqui, ou talvez seja só impressão minha. É psicológico. Essas paredes e divisórias brancas e acinzentadas lembram o interior de um freezer. Tá certo que tem uma plantinha aqui, outra ali, mas no geral esse ambiente causa arrepios. Funcionários impassíveis e inertes em frente aos computadores. Para eles é trabalho de rotina, para quem está do outro lado, é questão de vida. Cruel! Ainda falta um monte de pessoas para eu ser atendido, minha senha é de número 406 e está na 391. O pior não é a espera, o pior é a incerteza. Será que minha papelada tá em ordem? Essa gente é cheia de firulas. Se tiver uma vírgula a menos, uma palavrinha fora de lugar eu tô pior que cachorro sem dono! Por que a vida não é mais simples? Por que tantos números? Tantos registros? Tá certo, talvez eu esteja sendo infantil. Se eu fosse mais organizado, mais atento a detalhes burocráticos, se cuidasse melhor de mim mesmo, não estaria com o coração na mão agora. Olhando por esse ângulo, os funcionários é que estão certos, não são frios e indiferentes, são racionais e crescidos. Devem estar acostumados a atenderem pessoas trêmulas e confusas como eu. Devem estar de saco cheio na verdade, querendo ir logo pra casa tomar um banho e se atirar no sofá, na cama ou na rede. Deitar e ver um bom filme do século passado. O tempo se arrasta aqui, quisera ele passasse mais devagar quando eu tô curtindo um livro de ficção cyberpunk ou lendo Sandman. Eu bem que podia ter trazido umas HQs do Gaiman ou do Mutarelli ou então do Ellis pra ler enquanto espero meu destino ser definido aqui… mas o cara lembra-se disso nessas horas de aflição cruel? Chato esperar assim: mero espectador de seus pensamentos aflitivos.

Hmmm. Aquela meia-calça preta cai muito bem nas pernas dessa atendente. Pernas esbeltas, coxas grossas e firmes, salto alto discreto. Saia justa com um pequeno corte na lateral, pernas cruzadas, um blazer cinza escuro de executiva. Dá pra vislumbrar um decote, ela deve tá usando um tomara que caia… Um par de seios generosos! Óculos de grau e cabelos ruivos presos, batom discreto e unhas compridas com esmalte preto. Toda essa seriedade levemente contrastada por pulseiras prateadas, anéis e brincos de aro, além dos seios generosos. Ela tem um ar de eficácia executiva, talvez workaholic? Odeio workaholics! Mas posso abrir uma exceção. Essa mulher é gostosa demais. Posso conceder uma licença e suspender minhas opiniões no caso dela. Seria por uma causa justa, 394! Faltam 13, não… 12. Ai, ai. Nada como uma boa distração para os olhos, só assim esqueço minha situação. Putz! Não posso esquecer-me de entregar os livros na biblioteca, a multa por dia de atraso tá absurdamente alta! E os calhordas dão só uma semana de empréstimo, como é que o cara vai ler 600 páginas em uma semana? Se tivesse só isso pra fazer, vá lá, mas…

Ela levantou. Sua saia é muito justa, deixa o desenho do quadril perfeitamente visível. Ela se move de um jeito que demonstra poder… ela sabe que é gostosa, mas finge que não sabe. Perfeita! A beleza das curvas faz a diferença… Niemeyer sabia das coisas! Bom, talvez ela seja um pouco fria (Deve ser o ar condicionado). Quem sabe fora do expediente seja mais calorosa. Se fosse loira, seria uma das musas do velho Fausto Fawcett tamanha é sua presença nesse lugar. Ela caminha para os fundos. Isso já é demais. Que bunda! Gilberto Freyre acertou em cheio. Por mais ascético que seja esse ambiente, mais high tech, frio e etéreo, a herança de casa-grande e senzala ainda vigora no sangue e na imaginação. Se bem que no aqui e agora não sou eu o senhor do engenho. Aqui eu sou um escravo quase fodido. Hoje, ela é a senhora que pode decidir minha vida ao mesmo tempo em que cativa minha libido. Now, I wanna be your dog! A música dos Stooges faz muito sentido hoje.

Ela volta dos fundos. Traz uma maçã verde na mão esquerda. Não olha pra ninguém. Senta e digita em seu micro. Minha testa ainda está úmida e os pelos de meus antebraços estão se arrepiando, devo estar febril. Um nó na garganta, o clima lá fora mudou, só agora me dei conta. Começou uma chuva de deixar qualquer desavisado todo ensopado. Até eu sair daqui tudo já deve estar seco lá fora, vai demorar um bocado, está no número… opa! 401! Tá quase! Nada como uma gostosa pra encher os olhos e fazer o tempo passar mais rápido. Era o exemplo mais autoexplicativo que Einstein tinha para sua teoria da relatividade, uma hora ao lado de uma gostosa parecem minutos. Tá chegando minha vez. Minha espinha até gelou por isso. Se tudo der errado, amanhã acordo cedo e enfrento uma fila de 2 quadras para uma vaga de coveiro, ou peço uma grana emprestada pro agiota da rua… meu número! E é ela quem vai me atender. Minha tensão é 220 volts! Vou curto-circuitar!

– Em que posso ser útil, senhor? Ela não me olha, parece mais interessada no que acontece na tela do computador. Balbucio uma resposta e entrego minha pasta com todos os papéis, ela folheia rapidamente sem me olhar e diz:

– Primeiro teremos de organizar isso tudo. Ela espalha os papeis pela mesa de vidro escuro, começa a pinçar aqui e ali aquilo que julga ser a ordem correta. Fico entre envergonhado pelo meu desleixo e tentado a dar uma explicação para acabar com o clima de antipatia no ar. Sem saber o que dizer, permaneço calado e espero que ela organize minha vida. Ela é meu juiz, júri e executor nesse momento. Cativo da sua beleza, confirmada agora de perto, não me incomodo de ser abatido como um cachorro, como Joseph K. Seria um belo fim. Sem falar que agora também sinto seu perfume, inebriante. Diferente de todo esse ambiente. Algo tropical, algo amazônico. Patchouli? Uma executiva amazônica define impiedosamente meu futuro, o mundo é um lugar cruel e, de vez em quando, belo. Serei sacrificado pela mão de uma versão feminina do capitalismo tardio. Nascido de uma mulher, morto por uma, nada mais justo.

– Isso aqui está errado, o senhor terá que refazer e retornar outro dia. Meu coração para de bater.

– Eu… não posso… você não entende, preciso sair daqui com tudo Ok, não posso voltar outro dia. Toda minha vida depende desses papéis. Por favor, não me faça retornar, não vai adiantar. Tem de ser agora ou não será! Eu imploro… Ela me fita diretamente nos olhos pela primeira vez, mas não me responde. Volta a teclar, o tempo se dilata de repente. Toda beleza dela não impede a suspensão do tempo, o mundo não gira mais. Todos os relógios pararam. Até a gota de suor frio que escorregava pela minha têmpora esquerda não flui mais. (Maldito ar condicionado). Mas… o pulso, ainda pulsa. Os velhos Titãs.

– Tudo bem, vou ver o que posso fazer por você mais tarde. Por favor, aguarde no banco de espera até o fim do expediente. Com o coração na mão e os cabelos da nuca arrepiados pelo olhar que ela me dirigiu, retorno obediente para o banco. Agora noto que há um aquário aqui, peixes dourados nadando lentamente de um lado para o outro. Um aquário numa agência, quem diria? Deve ser pra dar ideia de calmaria. Passar o dia aqui em silêncio, que seja! Há esperança no final do expediente. Os ponteiros do relógio não estão do meu lado, mas, a esperança é a última que morre… a paciência, a primeira. Ah, a impaciência também tem seus direitos! E felizes são os peixes (Titãs de novo!) Sem preocupações, quase sem memória. Mas, será que eles apreciam as pernas da funcionária? Veem ela todos os dias, com roupas diferentes. Talvez com saias mais curtas. Talvez até já tenham testemunhado ela descruzar as pernas e descoberto a cor da sua… se bem que não é difícil imaginar, tudo me leva a crer que ela só usa calcinhas pretas ou vermelhas. Com aquelas roupas, não acredito que use…

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Ela se levantou, foi até lá atrás. Sua silhueta se delineia suave e erótica com as cores do fim de tarde chuvoso. Ela está toda felina com aquela roupa justa, será que os irmãos Villas Boas saborearam as entranhas de uma amazona como essa quando se aventuravam nas profundezas da mata brasileira? Altiva, ela retorna e, antes de sentar, me lança um olhar de soslaio… São como dardos narcotizantes. Felizes são os peixes, nós só vivemos breves instantes de epifania entre tardes aflitas e manhãs aborrecidas. Acho que os clientes estão acabando, a agência parece quase deserta agora. (Vai ver é o ar condicionado). O tempo parece dar voltas como esses peixes estúpidos do aquário, nada para cá, nada para lá, nada pra cima, nada para baixo. Os vidros são fronteiras invisíveis e intransponíveis para eles. Se os tubarões fossem homens… ou mulheres! Ela está atendendo o último cliente. Minha hora tá pra chegar, cabeças podem rolar, cabeças podem sair ilesas. O cliente está indo embora. Ela continua lá em frente ao micro digitando algo. Não me dirige olhar algum. Devo esperar? Se ela levantar, eu levanto também. Corro até ela e… ela se levantou! É agora! Ela está vindo pra cá. Vem falar comigo. Meu estômago se contorceu de medo.

– Me acompanhe, por favor, vamos verificar sua assinatura nos arquivos da agência.

Sigo-a em direção aos fundos. Ela não diz mais nada, só caminha sem me olhar. Será que tenho alguma esperança ainda? Eu quero mais vida, pai. Tenho lembranças a registrar antes que elas desapareçam como lágrimas na chuva. Entramos numa sala. Está cheia de servidores em pleno funcionamento à direita, estamos conectados com o mundo inteiro. Do outro lado há gavetas de arquivos em papel, conexão com o passado… Deve ser aqui, ela parou… Impera um não tão breve silêncio. Então ela se vira e me diz:

– Feche a porta. Eu obedeço sem pensar. Ela diz:

– Agora ajoelhe-se.

– Mas… o que??

– Quieto. Quer resolver seu problema? Obedeça.

O que ela quer? Humilhação? Chantagem? Acho melhor ir embora. Ah, mas não posso… Minha vida tem que se resolver. Não faz mal se não sair vivo daqui. Que seja! Ajoelho-me de frente pra ela, então ela puxa um zíper na lateral da saia justa e a ergue, revelando seu quadril. Ela… ela está sem calcinha! A virilha dela está na altura do meu rosto. Pelinhos ruivos e ralos seguem em direção a seus lábios rosados. Hmmm. Curto vulvas peludas, nunca entendi a mania de depilação universal de virilhas. Uma boceta com pelinhos manifesta mais personalidade. Ela diz:

– Quero sua língua aqui agora! E puxa minha cabeça. Sinto o gosto dela… Seus lábios estão molhados, quentes e inchados. Ela me comprime ainda mais de encontro ao seu quadril.

– Humm… Só vai me provar com a língua. Assim… com a ponta dela. Isso! Aqui eu mando, você obedece. Delírio absoluto. Pesadelo transmutado em sonho erótico? Que mundo bizarro e imprevisível! Se eu contar, ninguém acreditará.

– Ahh, agora para um pouco. Ela se vira e se debruça sobre uma cadeira estofada. De costas pra mim, ela se abre e diz:

-Vem, meu querido. Vai, prova com tua língua quente e nervosa. Hmmm. Obediente você, é assim que eu gosto.

Tô sendo assediado por ela? Que mulher mais loucamente gostosa! Uma deusa do amor por baixo da sisuda executiva, senhora libidinosa que não usa calcinha. Como é tesuda essa Vênus mandona, essa Elektra assassina, essa Sonja urbana. Ela se contorce toda como uma ninja em combate! Abrindo-se como uma tangerina partida ao meio para minha língua tocar o ponto em que sua polpa é ainda mais suculenta. Onde seu sumo é mais saboroso. Sinto toda sua acidez feminina na ponta da língua. Que mundo bizarro!? Fui enlaçado por Diana, subjugado pela Gata Negra! Gostosa fim de tarde… A tecnocrata mais tesuda da história! Então, e de repente, ela treme das pernas à cabeça e solta um longo suspiro, seu corpo relaxa e ela fica toda mole, senta na cadeira por um instante, me olha. Eu… não, eu não… meu sexo ferve. Ela levanta, apruma a saia, ajusta os óculos no rosto levemente ruborizado e arruma seus cabelos ruivos.

– Levante! Acabamos. Obedeço me ergo e fico olhando pra ela.

– Vai, acabamos.

– Mas… e minha situação? Como fica?

– Já resolvi isso antes de sair da minha mesa, está tudo Ok, pode ir. E sai da sala.