A leitora

Acho que começou quando deslizamos reciprocamente em um aplicativo de encontros, na conhecida rede geossocial. Não sei em que dia ou mês aconteceu, mas sei que você encontrou o endereço de meu blog de contos. E leu todos eles!? Sim, ao que parece, alguém ainda lê blogs. Soube depois, porque me você confidenciou, que seu primeiro gozo comigo foi durante a leitura de Uma Visita Caprichosa. Siriricando, sentada em uma cadeira de balanço na varanda de sua casa, saia erguida, calcinha posta de lado.

“Deixei-a em suspense por um tempo ainda, para levar seu desejo ao ápice. Por fim, movi o braço com força e rapidez. A chibata acertou a polpa esquerda de sua bunda. O estalo foi alto e agudo. Você se retesou toda. Ficou na ponta dos pés. Soltou um gemido. Não perdi mais tempo. Surrei-a na bunda intensamente.”

Foi brincando com seu grelo, enquanto lia e fruía o prazer deste trecho do texto, que o gozo veio em um rompante súbito crescente, fazendo-a erguer as pernas trêmulas, arquear as costas e morder forte teus lábios. No vai e vem da cadeira, teu gozo pendulou em sintonia, até o balançar amainar… lentamente.

Dias depois, você meu adicionou em outra rede social, a mais imagética delas. Quando a aceitei não tinha ideia de quem era. Não havia concatenado com o nosso deslizar recíproco no app, mas com o tempo, com sua presença frequente e tão curiosa, te incluí em meu círculo mais íntimo, aquele a quem confidencio minhas experiências, meus desejos e prazeres indecentes, minha luxúria anárquica, para além do bem e do mal. Esse erotismo do segredo, da cumplicidade confidencial te fez dar o próximo passo. Você puxou conversa comigo no mensageiro da rede. E conversamos por horas, noite adentro. Trocamos palavras, memórias, fantasias, nudes. Foi nessa hora que me contou do seu primeiro gozo comigo, ou antes, com minhas palavras… Te ouvi contar sobre tua primeira vez, ou melhor, sobre como se enganou durante muito tempo sobre ela. Mantivera a ilusão, o autoengano, de que a primeira experiência fora com seu namoradinho, em um sábado de aleluia. Só nos últimos tempos é que admitiu para si que bem antes dessa noite, aconteceu com seu colega de escola, atrás do muro, no fundo do quintal de casa, entre árvores e passarinhos. Foi um gostoso anal, você com as mãos no muro, bunda empinada, a adrenalina do momento, o receio de serem pegos em flagra. Admitir para si que essa foi tua primeira foda, muita mais erótica que a outra, te fez bem. Uma lembrança que te deixa molhada, você me disse. Trocamos mais nudes. Você mandou alguns da época de sua gravidez. Nua, gestante e libidinosa. Fiquei fascinado. Nesse fluxo de palavras, no erotismo de uma prosa desavergonhada, na profusão de trocas à longa distância… você me conta que gozou novamente.

A terceira em que estou envolvido. Perguntei intrigado: qual foi a segunda? Você disse que viu um nudes nos stories. Gozou ao ver minha bunda, siriricou se imaginando presente na cena, ambos despidos diante da janela, você me apalpando por trás. Fiquei surpreso e excitado, você então mandou outro nudes em retribuição. A madrugada já ia avançada, éramos da noite a companhia mais fiel ela queria.

No outro dia você me mandou, de surpresa, um vídeo, a mão de um entregador de aplicativo de serviços online te surrando na raba nua em close up e alta resolução... Fez pra mim, inspirada no meu conto. Transou com ele pensado em mim. Combinamos de nos encontrar. Você viria me visitar, em uma intertextualidade fantasiosa com teu conto preferido. Queria vir e exibir sua bunda em carne nua para eu surrá-la sem dó, nem pena, preparei meus brinquedos.

Você veio em uma noite de sábado, usando apenas um vestido sedoso, de cor violeta. Mamilos audaciosamente salientes, você se movia com uma desenvoltura felina, lembrando a desconhecida de O Demônio da Vertigem. Meus cães presos no fundo de casa, atiçados pelo seu cheiro, Patchouli?, arranhavam a porta, lá fora o céu relampeava e ronronava. Em pouco tempo você perambulava seminua pela casa com uma taça de vinho Valpolicella Ripasso na mão, saboreando makinomos de salmão, pinçando meus livros entre as estantes – Crepúsculo dos Ìdolos, O Oráculo da Noite, A casa dos Budas Ditosos, Filosofia na Alcova, Eros ex Machina – sem se preocupar com os transeuntes da avenida, visíveis da janela em frente. Ouvíamos Vívelo de Prietto no aplicativo de fluxo musical. No preguntes, vívelo. Você pegou um livro para folhear, O Erotismo de George Bataille, sentou na poltrona com ele no colo e a taça na mão. Os makinomos haviam terminado. “Tenho vontade de desgustar algo mais.” Eu estava em pé a seu lado, prestativo com sua visita. “Deixa ver…” Me puxou pela cintura, rebaixou a bermuda e a cueca, desnudando meu sexo crescente, pelo calor do gesto, e sorveu a glande. “Hmmm… rosé, roliço. Notas frutadas… amora, ameixa, cereja. Mas também pimenta. Bem concentrado, tem um poder de permanência no paladar. Combina muito com esse vinho italiano”. Provou um gole na taça e voltou a sorver meu sexo, agora engolindo mais dele. Depois guardou de volta na minha roupa. “Me dá muita vontade… mas vou deixar para me embriagar mais tarde… Do erotismo, é possível dizer que é a aprovação da vida até na morte.” recitou do livro aberto entre tuas coxas.

Por volta das nove horas, você sorveu as gotas restantes do nosso vinho, largou a taça na mesinha, desvencilhou-se do vestido e começou a subir as escadas… engatinhando, rebolando, felina e nua! Eu segui logo atrás hipnotizado por aquela cena obscena, despudorada, tua bunda na mais alta provocação, teus lábios pornograficamente expostos. Depois das escada você se esgueirou rápida pelo corredor, com eu em teu encalço, já desnudado e com o sexo em chamas, debruçou-se na janela empinando tua bunda e não te importando com o transeunte flagrando teus seios nus. Te abracei por trás, minha glande roçando nas polpas de tua bunda, beijei tua nuca. No spotify: Venta/Ali se vê/Aonde o arvoredo inventa um ballet/Enquanto invento aqui pra mim/Um silêncio sem fim/Deixando a rima assim/Sem mágoas, sem nada/Só uma janela em cruz/E uma paisagem tão comum/ Telhados de Paris/Em casas velhas, mudas. Nei Lisboa ecoando pela Avenida 2 de Julho de Ilhéus. E fui buscar meus brinquedos. Peguei a correntinha com três prendedores, dois para morder teus mamilos eriçados, outro para abocanhar teu grelo. Você se estremeceu toda com minhas mãos percorrendo teu corpo, com a tensão que as pressilhas provocaram, tua pele se arrepiou, era como por teu corpo em curto-circuito, correntes voltaicas de uma excitação nervosa. Teu grelo estava por demais eriçado, não foi dificíl prensá-lo com a pressilha. Era uma delícia de ver o retesamento de dor e de tesão tomando conta de ti, tua buceta carnuda muito aberta, os pelinhos ralos da virilha, o grelo ligado pelas correntinhas aos mamilos. Que cena mais sinestésica!Você voltou a se debruçar na janela enquanto eu buscava minha palmatória. Você ofereceu sua bunda para ser surrada.

E como era bom de bater nela, carnuda, musculosa. Que surra! Enquanto a palmatória de couro estalava em tua pele, notei o mel da buceta escorrer pela parte interna das coxas. Passei meus dedos nele e sorvi, para conhecer teu gosto. Mel encorpado, na boca mantém o frutado, longo, profundo, acidez média, final longo e complexo. Depois dedilhei os lábios inchados de tua xota, penetrei-a com dois dedos, estava encharcada de tesão. Aproveitei esse mel todo nas pontas dos dedos esfreguei-os em teu cuzinho, você estremeceu. Hora de a penetrar, meu sexo estava transmudado em rocha ígnea. Direcionei minha pica para a entrada de tua buceta, mas você a puxou, me olhou de soslaio e deslizou minha glande para teu rabinho. Queria ser sodomizada de primeira! Não tive dúvidas, a enrabei com muita gana, sentindo minha virilha pressionar contra as polpas de tua bunda enquanto meu sexo afundava todo dentro de ti. Fodemos muito assim, você debruçada na janela, balançando os seios para a avenida e o rio, eu te encochando safado, sentido o calor da fricção de minha pica em teu cuzinho.

“Aí, que coceirinha gostosa, me come, enche meu cu com teu leite, Mau”, você sussurrou. A cada palavra obscena, meu pau ficava mais rijo. Meu tesão mais insano. O suor tomou conta de nossos corpos na justa medida em que o tempo se dilatava ao sabor daquela foda furiosa. Você esfregava os dedos na xota, sem tirar o prendedor do seu grelo pulsante. Você arqueia as costas e estremece de prazer. “Ai, não para…. Não para, não… Fode minha bunda com essa tora, fode, fodee!” “Com muito prazer, cachorra. Aahh.. Que foda gostosa!” Metemos tão forte que quase que você despenca da janela quando o orgasmo tomou conta de teu corpo, em um frisson itinerante, da planta dos pés à nuca. Te puxei e te abracei forte por trás, nossos corpos comprimidos em êxtase. Gozei forte dentro de ti, sem nos mexermos, ambos grudados contra a parede na penumbra do corredor. Lá fora na avenida, uma viatura passou em alerta. Nossa noite mal começara…

PS. Minha cara leitora, quando terminava de relatar este conto, recebi uma mensagem estranha no meu blog. O mais bizarro era a data no final da mensagem: 27.07.2073!? Ah, em outro conto eu conto essa história.

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